Uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), do Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da APMGF (GRESP) e da Associação Respira, com o apoio da Boehringer Ingelheim, que tem como objetivo mudar o rumo de uma doença que, apesar de silenciosa, rouba o ar e a vida a centenas de portugueses.
“A fibrose pulmonar é uma forma de lesão pulmonar que, na realidade, ocorre num coletivo de várias doenças intersticiais pulmonares que evoluem com desarquiteturação cicatricial pulmonar. Em termos de causalidade, a fibrose pulmonar pode advir do efeito de várias exposições ambientais e ocupacionais, doenças autoimunes, efeito iatrogénico de alguns medicamentos e radioterapia prévia ou do efeito de determinadas mutações genéticas. Contudo, uma porção significativa dos casos são denominados de “idiopáticos”, precisamente por não terem um mecanismo causal totalmente clarificado,” esclarece o especialista Pedro Gonçalo Ferreira, da SPP.
Sendo a fibrose pulmonar perspetivada como irreversível, “o dilema resulta do facto de uma percentagem significativa de casos assumir uma evolução progressiva, determinando um impacto crescente na qualidade de vida, sintomas gradualmente mais intrusivos e risco de morte precoce”. “Para lá da investigação de mais e melhores opções terapêuticas, o maior desafio atual é mesmo o diagnóstico precoce, para que a nossa intervenção possa ser exercida mais cedo e, dessa forma, consigamos minorar a perda irrecuperável de qualidade de vida e aumentar a sobrevivência dos doentes afetados”, acrescenta ainda Pedro Gonçalo Ferreira.
Para Cláudia Almeida Vicente, Coordenadora do Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da APMGF, “a Fibrose Pulmonar é uma doença pulmonar desafiante com um prognóstico reservado a qualquer que seja a especialidade médica. Nos Cuidados de Saúde Primários, o desafio é considerar este diagnóstico perante quadros de tosse ou dispneia persistentes, pensando ainda no perfil mais típico do doente. A referenciação precoce pode ser a chave para o sucesso. Do outro lado da doença, fica também o acompanhamento do doente ao longo do tempo, e das eventuais comorbilidades; bem como o apoio à família nesta dura doença que não deixa ninguém indiferente”.
