Dream News (DN) – O Dia Mundial da Visão celebra-se no dia 9 de outubro… Como presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), quais são as iniciativas que irão decorrer a nível nacional para assinalar a efeméride?
Prof. Pedro Menéres (PM) – O Dia Mundial da Visão celebra-se a 9 de outubro e é uma data de grande importância para sensibilizar a população para a saúde ocular. A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) promove, a nível nacional, diversas iniciativas, com uma campanha de informação, na rádio, TV, redes sociais e divulgando materiais didáticos na imprensa escrita sobre várias patologias, durante os sete dias subsequentes. O objetivo é reforçar a importância dos conhecimentos da população sobre a saúde ocular e visual reforçando que a observação regular pelo médico oftalmologista é essencial no diagnóstico atempado de várias patologias, incluindo algumas que podem causar cegueira e que com diagnóstico precoce pode muitas vezes ser evitada.
DN – Atualmente, quais são as doenças oftalmológicas mais prevalentes em Portugal?
PM – As patologias mais frequentes variam com a idade, em Portugal temos: Erros refrativos: As bem conhecidas “vista cansada” (presbiopia) e a miopia fazem parte do conjunto dos erros refrativos em que temos a imagem desfocada, em diversos graus e/ou distâncias. A hipermetropia e o astigmatismo completam este grupo dos erros refrativos. Podem ser tratadas de diversas formas, desde os óculos ou lentes de contacto até à correção LASER ou com lentes intraoculares. A sua não correção atempada em crianças leva à Ambliopia (“olho Preguiçoso”) e podem estar ligados ao Estrabismo. Catarata: afeta predominantemente pessoas acima dos 60 anos, sendo a causa mais comum de diminuição da visão totalmente reversível com cirurgia. Realizada por médicos oftalmologistas, sem o recurso a internamento, esta intervenção incorporou evoluções tecnológicas impressionantes e é na atualidade considerada de elevado sucesso, obtendo-se excelentes resultados, na maioria dos casos. São realizadas milhares destas cirurgias todos os meses em Portugal. Glaucoma e Degenerescência Macular: mais comuns em idades menos jovens (e apesar de existirem possibilidades terapêuticas como tratamentos medicamentosos, LASER e cirurgias tecnologicamente avançadas), estão associadas ao risco de perda visual irreversível, sobretudo se os tratamentos não se iniciam nas primeiras fases destas doenças. Retinopatia diabética: ocorre em doentes com diabetes e temos já tratamentos eficazes para a maioria dos casos, mas necessita de observações e cuidados regulares para minorar o risco de cegueira e de perda de descriminação visual.

DN – De forma global, quais são os grandes desafios que a Oftalmologia tem enfrentado e o que perspetiva para o futuro para tentar colmatar os dados descritos?
PM – Os principais desafios da Oftalmologia incluem o envelhecimento populacional, que aumentou a prevalência de catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degenerescência macular, com mais necessidade de consultas, exames, tratamentos e cirurgias, incluindo patologias que há alguns anos não tinham qualquer terapêutica eficaz. Associam- -se crescimento mais precoce e mais intenso da miopia, com risco de complicações graves a longo prazo e as elevadas expectativas atuais dos doentes, desafiando a integração de novas tecnologias em constante evolução. O presente e o futuro passam por estratégias combinadas: prevenção, educação para hábitos visuais saudáveis, observação médica regular e precoce, inovação tecnológica e acesso a tratamentos cada vez mais personalizados.
DN – Uma das patologias que se tem vido a destacar é a miopia. Atualmente, qual é a incidência da miopia a nível nacional e mundial? Prevê que os números venham a aumentar de forma significativa nos próximos anos?
PM – Atualmente, a miopia afeta uma proporção crescente da população mundial. Estima-se que metade da população possa ser míope até 2050. A previsão aponta para um aumento significativo nos próximos anos, principalmente devido a hábitos de vida modernos, como tempo prolongado em dispositivos eletrónicos a curtas distâncias e menor exposição à luz natural /atividades ao ar livre.
DN – Quais são os sinais e sintomas que podem levar um doente a suspeitar de que padece de miopia? Em que fase, o respetivo doente deve procurar a ajuda de um oftalmologista?
PM – Os principais sinais que podem indicar miopia incluem: dificuldade em ver objetos ao longe, como para ver televisão, quadro na escola, sinais de trânsito, placas na estrada ou pessoas à distância; necessidade de apertar os olhos ou aproximar-se para conseguir ver melhor; dores de cabeça ou cansaço visual – em atividades de longa distância. O oftalmologista deve ser consultado quando surjam estas dificuldades, incluindo em crianças em idade escolar, para diagnóstico precoce e interferência na progressão.
Atualmente, a miopia afeta uma proporção crescente da população mundial. Estima-se que metade da população possa ser míope até 2050.
Prof. Pedro Menéres
DN – Como em qualquer patologia, a prevenção é sempre o “melhor remédio”. Que passos têm sido dados para prevenir e controlar a miopia? O controlo da miopia é fácil de realizar?
PM – A prevenção e o controlo da miopia envolvem várias abordagens: hábitos diários saudáveis: passar pelo menos duas horas ao ar livre, pausas regulares durante o uso da visão de perto: leitura ou uso de dispositivos; tratamentos inovadores: lentes oftálmicas especiais, lentes de contacto específicas, colírios de atropina em baixa dose. Embora não seja possível eliminar a miopia na criança e adolescente em desenvolvimento, estas estratégias podem reduzir significativamente a sua progressão. Isso poderá permitir atingir valores mais reduzidos de miopia – menos dioptrias – tornando mais fácil e acessível a correção em idades precoces, mas também depois da estabilização, em adultos – seja com óculos ou com correção com LASER ou lentes. Simultaneamente reduzimos assim complicações mais graves, designadamente da retina, associadas às miopias mais elevadas.
DN – Um determinado doente que sofre de miopia, que cuidados deve ter no seu dia a dia? O acompanhamento tem de ser realizado regularmente?
PM – Um doente com miopia deve: usar óculos ou lentes de contacto conforme prescrição do seu médico oftalmologista; respeitar consultas regulares de acompanhamento, conforme orientação do Oftalmologista; adotar hábitos de prevenção, como os intervalos nos esforços de perto e ocupar tempo com visão de longe e ao ar livre.

DN – Neste Dia Mundial da Visão, que conselho gostava de deixar aos portugueses que sofrem de doenças oftalmológicas?
PM – No Dia Mundial da Visão, o conselho da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia é claro: frequentar consultas com o médico oftalmologista. A prevenção e o diagnóstico precoce são decisivos para manter a qualidade de visão; adotar hábitos de vida saudáveis, incluindo tempo ao ar livre, pausas de leitura e uso equilibrado de tecnologia; Estar atento a alterações visuais e procurar ajuda médica sempre que surgirem perdas de visão ou sintomas de catarata, miopia ou outras doenças oftalmológicas. A visão é essencial para a qualidade de vida e bem-estar. Observar regularmente os olhos no médico oftalmologista e cuidar da saúde ocular é um investimento em autonomia e saúde a longo prazo.
